sábado, 11 de abril de 2026
jueves, 9 de abril de 2026
PATRIARCHAL ENCYCLICAL ON THE OCCASION OF HOLY PASCHA
† B A R T H O L O M E W
BY GOD’S MERCY
ARCHBISHOP OF CONSTANTINOPLE – NEW ROME
AND ECUMENICAL PATRIARCH
TO THE ENTIRE PLENITUDE OF THE CHURCH:
GRACE, PEACE, AND MERCY FROM CHRIST, RISEN IN GLORY
* * *
Most honourable brother Hierarchs and blessed children in the Lord,
Having arrived, through fasting, prayer, and solemnity, at the radiant and all-festal day of Holy Pascha, we hymn and glorify the world-saving Resurrection of our Lord and God and Saviour Jesus Christ, which marks the manifest victory of life over death, renews all creation, and opens to humanity the way of deification by grace. The Church of Christ preserves the paschal experience in her liturgical life, in the labours of the Saints and Martyrs of the faith, in the eschatological impulse of monasticism, in the proclamation of the Gospel “to the ends of the earth,” in theology and the ecclesial arts, in the good witness of the faithful in the world, in the culture of love and solidarity, and in the immovable certainty that evil does not have the final word in history.
The Resurrection of the Lord is lived as a Christ-bestowed freedom, which inspires, nourishes, and strengthens the creative powers of the human person and the good struggle for “whatever is true, whatever is honourable, whatever is just, whatever is pure, whatever is lovely, whatever is commendable,”[1] while reminding us all that the journey toward the Resurrection is inseparably bound to the Cross. The joy of the Cross and the Resurrection has preserved the people of God from identifying themselves with the spirit of this world, while at the same time safeguarding them from barren insularity and a spirituality devoid of dynamism and hope-bearing breath. The life of the faithful, in the crucified and risen Christ “for us men,” still today refutes every alien narrative of Christian ethos as a “morality of the weak,” supposedly embodied in humility, forgiveness, sacrificial love, asceticism, the Lord’s saying “but I say to you, do not resist the evil one,”[2] and other principles and dispositions that belong to the very core of our identity. Nothing could be further from the truth than this reading of the ethos of Christianity — of sacrificial love that “does not seek its own,” a love interwoven with courage, boldness, and existential authenticity. Pascha is a hymn to this freedom, to faith “working through love,”[3] which is not our own achievement but grace and a gift from above, and which is lived in the holy Sacraments of the Church and in the “mystery” of service to one’s neighbour. Indeed, “love for God does not in any way tolerate hatred toward one’s fellow human being.”[4]
The Church of Christ — the “salt of the earth,” the “light of the world,” the city “set on a hill,” the lamp placed “on the lampstand”[5] — bears active witness in the world, before the signs of the times, about the grace that has come and “the hope that is in us.”[6] The message of the Cross and the Resurrection resounds today as a Gospel of peace, reconciliation, and justice. War, hatred, and injustice stand opposed to the fundamental Christian principles for whose realization and establishment the people of God pray and labour each day. In the light of the Resurrection, we beseech the Lord on behalf of the victims of wartime violence, the orphans, the mothers who mourn their children, and all those who bear in body and soul the effects of human cruelty and callousness. “Christ is risen” is a denial and condemnation of violence and fear and an invitation to a life of peace. War brings forth lamentation and death; the Resurrection conquers death and bestows incorruptibility.
Before the daily images of the cruelty of war, the Church raises her voice and proclaims the sacredness of the human person — of every concrete human being anywhere on earth — and the duty of absolute respect for that dignity; and she calls upon us to “know our own worth, honour the Prototype, recognise the power of the mystery, and understand for whose sake Christ died.”[7] The Resurrection of the Lord is the restoration of the human being to his pre-eternal calling. As the “beginning of another eternal life,” it heals alienating relationships and establishes the peace “which surpasses all understanding”[8] — a peace that encompasses worldly reconciliation and pacification.
Inspired by God, the Holy and Great Council of the Orthodox Church — the tenth anniversary of whose convocation we honour this year — underlined the duty of the Church “to encourage whatever truly serves the cause of peace (Rom. 14:19) and opens the way to justice, brotherhood, true freedom, and mutual love among all the children of the one heavenly Father, as well as among all peoples who make up the one human family.”[9]
Holy Pascha is the whole of our spiritual civilization, the very core of our piety. The Resurrection of the Lord is also our own resurrection in the present age, and at the same time a prefiguration and foretaste of the “common resurrection of all human beings” and of the renewal of the whole creation. Illumined by the all-radiant light of the face of the Risen Christ, and glorifying in psalms and hymns and spiritual songs His all-holy Name — the Prince of Peace, who is with us “always, unto the end of the age” [10]— we wish you a blessed Resurrection, a paschal season filled with divine gifts, and every day of your lives likewise, crying out the universal proclamation of joy: “Christ is risen! Truly the Lord is risen!”
Phanar, Holy Pascha 2026
† Bartholomew of Constantinople
fervent supplicant for you all
to the Risen Lord
_____________
1. Phil. 4:8.
2. Matt. 5:39.
3. Gal. 5:6.
4. St. Maximus the Confessor, Chapters on Love, I.15. PG 90, 964.
5. Matt. 5:13-15.
6. 1 Pet. 3:15.
7. St. Gregory the Theologian, Oration 1, On Holy Pascha and on Tardiness, PG 35, 397.
8. Phil. 4:7.
9. The Mission of the Orthodox Church in Today’s World, C, § 5.
10. Matt. 28:20.
ENCÍCLICA PATRIARCAL PARA A SANTA PÁSCOA
ENCÍCLICA PATRIARCAL
POR OCASIÃO DA SANTA PÁSCOA
Prot. N° 279
† B A R T O L O M E U
PELA GRAÇA DE DEUS
ARCEBISPO DE CONSTANTINOPLA – NOVA ROMA
E PATRIARCA ECUMÊNICO
A TODA PLENITUDE DA IGREJA:
GRAÇA, PAZ E MISERICÓRDIA DE CRISTO, RESSUSCITADO EM
GLÓRIA
* * *
Mui honoráveis irmãos Hierarcas e abençoados filhos no
Senhor,
Tendo
chegado, por meio do jejum, da oração e da contrição, ao radiante e solene dia
festivo da Santa Páscoa, entoamos hinos e glorificamos a Ressurreição salvadora
do mundo de nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo, a qual assinala a
vitória manifesta da vida sobre a morte, renova toda a criação e abre ao ser
humano o caminho da deificação pela graça. A Igreja de Cristo preserva a
experiência pascal na sua vida litúrgica, nos feitos dos Santos e dos Mártires
da fé, no impulso escatológico do monaquismo, na proclamação do Evangelho “até
os confins da terra”, na teologia e na arte doxológica, no bom testemunho dos
fiéis no mundo, na cultura do amor e da solidariedade, e na certeza inabalável
de que o mal não tem a última palavra na história.
A Ressurreição
do Senhor é vivida como uma liberdade concedida por Cristo, que inspira,
alimenta e fortalece as forças criativas da pessoa humana e o bom combate por
“tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honroso, tudo o que é justo, tudo o que
é puro, tudo o que é amável, tudo o que é digno de louvor,”[1] enquanto nos lembra a todos que a jornada rumo à
Ressurreição está inseparavelmente ligada à Cruz. Esse vínculo tem preservado o povo de Deus de se
identificar com o espírito deste mundo, ao mesmo tempo em que o resguarda de
uma insularidade estéril e de uma espiritualidade desprovida de dinamismo e do
sopro da esperança.
A vida dos
fiéis, no Cristo crucificado e ressuscitado, ainda hoje refuta toda narrativa
alheia do ethos cristão como uma “moral dos fracos”, supostamente expressa na
humildade, no perdão, no amor sacrificial, no ascetismo, na palavra do Senhor:
“Eu, porém, vos digo: não resistais ao mal”[2] e
outros princípios e disposições que pertencem ao próprio núcleo da nossa
identidade. Nada poderia estar mais distante da verdade do que essa leitura do
ethos do cristianismo — do amor sacrificial que “não busca os seus próprios
interesses”, um amor entrelaçado com coragem, ousadia e autenticidade
existencial. A Páscoa é um
hino a essa liberdade, à fé "que opera através do amor,"[3] que não é nossa própria conquista, mas graça e um dom do
alto, e que é vivido nos santos Sacramentos da Igreja e no "mistério"
do serviço ao próximo. De fato, "o amor por Deus não tolera de forma
alguma o ódio contra o próximo ser humano.”[4]
A Igreja de
Cristo — o "sal da terra", a "luz do mundo", a cidade
"colocada em uma colina", a lâmpada colocada "no candeeiro”[5] - dá testemunho ativo no mundo, antes dos sinais dos tempos, sobre a graça que
veio e "a esperança que está em nós."[6] A mensagem da Cruz e da Ressurreição ressoa hoje como
um Evangelho de paz, reconciliação e justiça. A guerra, o ódio e a injustiça se
opõem aos princípios fundamentais do cristianismo, pela realização e
consolidação dos quais o povo de Deus reza e trabalha diariamente. À luz da Ressurreição, suplicamos ao Senhor
em favor das vítimas da violência da guerra, dos órfãos, das mães que choram
seus filhos e de todos aqueles que trazem no corpo e na alma os efeitos da
crueldade e da insensibilidade humanas. “Cristo ressuscitou” é negação e
condenação da violência e do medo, e um convite a uma vida de paz. A guerra
produz lamentação e morte; a Ressurreição vence a morte e concede a
incorruptibilidade.
Diante das
imagens diárias da crueldade da guerra, a Igreja levanta sua voz e proclama a
sacralidade da pessoa humana — de todo ser humano concreto, em qualquer lugar
da Terra — e o dever de respeito absoluto por essa dignidade; e ela nos convoca
a "conhecer nosso próprio valor, honrar o Protótipo, reconhecer o poder do
mistério e entender por causa de quem Cristo morreu.”[7] A Ressurreição do Senhor é a restauração do ser humano ao seu chamado
pré-eterno. Como o "início de outra vida eterna", ela cura
relacionamentos alienantes e estabelece a paz "que ultrapassa toda
compreensão”[8] — uma paz que englobe a reconciliação e pacificação do mundo.
Inspirado por
Deus, o Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa — cujo décimo aniversário de
convocação celebraremos este ano — ressaltou o dever da Igreja "de
encorajar tudo o que realmente serve à causa da paz (Rom. 14:19) e abre caminho
para a justiça, fraternidade, verdadeira liberdade e amor mútuo entre todos os
filhos do único Pai celestial, assim
como entre todos os povos que compõem a única família humana.”[9]
A Santa
Páscoa consiste em todo o nosso patrimônio espiritual, o núcleo da nossa
piedade. A Ressurreição do Senhor é também a nossa própria ressurreição no
tempo presente, sendo ao mesmo tempo prefiguração e antegozo da “ressurreição
comum de todos os homens” e da renovação de toda a criação. Iluminados pela luz
resplandecente do rosto de Cristo Ressuscitado e glorificando, com salmos,
hinos e cânticos espirituais, o seu santíssimo nome, Ele, o Príncipe da paz,
que está conosco “todos os dias até a consumação dos séculos”[10] — desejamos uma “Feliz Ressurreição”, plena de dons divinos durante todo o
período pascal e em todos os dias da vossa vida, proclamando com alegria
universal: “Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou o Senhor!”
Fanar, Santa Pásoa 2026
† Bartholomeu de Constantinopla
fervoroso suplicante por todos vós a Cristo Ressuscitado,
[1] Fil. 4,8.
[2] Mat. 5,39.
[3] Gal. 5,6.
[4] S. Máximos, o
Confessor, Chapters on Love, I.15. PG 90, 964.
[5] Mat. 5,13-15.
[6] 1 Pd. 3,15.
[7] S. Gregório, o
Teólogo, Oration 1, On Holy Pascha and on Tardiness, PG 35, 397.
[8] Fil. 4,7.
[9] A Missão da Igreja Ortodoxa no Mundo de Hoje, C, § 5.
[10] Mat. 28,20.
ENCÍCLICA PATRIARCAL PARA LA SANTA PASCUA
Nº Prot.
279
+ B A R T O L O M É
POR LA MISERICORDIA DE DIOS
ARZOBISPO
DE CONSTANTINOPLA-NUEVA ROMA
Y PATRIARCA ECUMÉNICO
A LA PLENITUD DE LA IGLESIA:
GRACIA, PAZ Y MISERICORDIA DE CRISTO, RESUCITADO EN GLORIA
* * *
Honorabilísimos Hermanos jerarcas y benditos hijos en el Señor:
Habiendo llegado con ayuno, oración y solemnidad al día radiante y festivo de la Santa Pascua, cantamos y glorificamos la Resurrección universalmente salvadora de nuestro Señor, Dios y Salvador Jesucristo, que marca claramente la victoria de la vida sobre la muerte, renueva toda la creación y le abre a la humanidad el camino de la deificación mediante la gracia. La Iglesia de Cristo conserva la experiencia pascual en su vida litúrgica, en las luchas de los Santos y los Mártires de la Fe, en el impulso escatológico del monaquismo, en la proclamación del Evangelio “hasta el confín de la tierra”, en la teología y en las artes eclesiásticas, en el buen testimonio de los fieles en el mundo, en la cultura del amor y la solidaridad y en la inamovible certidumbre de que el mal no tiene la última palabra en la historia.
La Resurrección del Señor se vive como una libertad otorgada por Cristo que inspira, alimenta y fortalece las potencias creadoras de la persona humana y la buena batalla en favor de “todo lo que es verdadero, noble, justo, puro, amable, laudable, todo lo que es virtud o mérito”, al tiempo que nos recuerda a todos que el camino hacia la Resurrección está inseparablemente unido a la Cruz. Este vínculo ha preservado al pueblo de Dios de identificarse con el espíritu de este mundo, librándolo a la vez del aislamiento estéril y de una espiritualidad privada de dinamismo y de un espíritu de esperanza. La vida de los fieles en el Cristo crucificado y resucitado sigue rechazando hoy en día toda narrativa ajena al ‘ethos’ cristiano como una “moral de los débiles” supuestamente manifestada en la humildad, en el perdón, en el amor sacrificial, en el ascetismo, en las palabras de Cristo (“No hagáis frente al que os agravia”) y en otros principios y disposiciones que pertenecen al núcleo mismo de nuestra identidad. Nada puede estar más lejos de la verdad que esta interpretación del ‘ethos’ del Cristianismo, que es el del amor sacrificial que “no es egoísta”, un amor entretejido de valentía, audacia y autenticidad existencial. La Pascua es un himno a esta libertad fe “que actúa por el amor”, que no es un logro nuestro, sino una gracia y un don de lo alto, y que se vive en los Santos Misterios de la Iglesia y en el “misterio” del servicio al prójimo; de hecho, “el amor a Dios no es en modo alguno compatible con el odio hacia los demás seres humanos”.
La Iglesia de Cristo -la “sal de la
tierra”, la luz del mundo”, la ciudad “puesta en lo alto
de un monte”, la lámpara “puesta en el candelero”- ofrece un testimonio activo en el mundo, ante las
señales de los tiempos, de la gracia que ha venido y de “nuestra
esperanza”. El mensaje de la Cruz y de la Resurrección resuena
hoy como un Evangelio de paz, reconciliación y justicia. La guerra, el odio y
la injusticia son lo opuesto a los principios cristianos fundamentales, por
cuya realización y establecimiento reza y trabaja cada día el pueblo de Dios. A la luz de la Resurrección,
suplicamos a Dios por las víctimas de la violencia de la guerra, por los huérfanos, por las madres que hacen luto por sus hijos
y por todos los que llevan en su cuerpo y en su alma los efectos de la crueldad
y la insensibilidad humana. La exclamación “¡Cristo ha resucitado!” es un rechazo y una condena de la violencia y el miedo y una invitación
a vivir una vida de paz. La guerra provoca lamentos y muerte, mientras que la
Resurrecciión conquista a la muerte y otorga incorruptibilidad.
Ante las imágenes diarias de la crueldad de la guerra, la Iglesia alza su voz y proclama la sacralidad de la persona humana -de toda persona humana concreta que viva en cualquier parte del mundo- y el deber absoluto de que se respete esa dignidad, y nos llama a “ser conscientes de nuestro propio valor, a honrar al Prototipo, a reconocer el poder del misterio y a entender por quién murió Cristo”. La Resurrección del Señor es la restauración del ser humano a su llamada eterna. Como “principio de otra vida eterna”, sana las relaciones que generan distanciamiento y establece la paz “que supera todo juicio”, una paz que trae reconciliación y pacificación al mundo.
Inspirado por Dios, el Santo y Gran Concilio de la Iglesia Ortodoxa, cuyo décimo aniversario celebramos este año, subrayó el deber de la Iglesia de “animar a todo lo que de verdad sirva a la causa de la paz (Rom 14,19) y abra las puertas a la justicia, la fraternidad, la verdadera libertad y el amor mutuo entre todos los hijos del único Padre celestial, así como entre todos los pueblos que conforman la única familia humana”.
La Santa Pascua es la plenitud de nuestra civilización
espiritual, el núcleo mismo de nuestra piedad. La Resurrección del Señor es también nuestra
propia resurrección en la era presente, y al mismo tiempo una prefiguración y
pregustación de “la resurrección
universal de todos los seres humanos” y de la renovación de la creación entera. Iluminados por la luz
radiante del rostro del Cristo resucitado, y glorificando con salmos, himnos y
cánticos espirituales el santísimo Nombre del Príncipe de la Paz, que está con nosotros “todos los días, hasta el final de los tiempos”, os deseamos una bendita Resurrección y un tiempo
pascual lleno -como cada día de vuestra vida- de dones divinos, elevando la proclamación universal de gozo: ¡Cristo ha resucitado! ¡Verdaderamente ha resucitado!
En el Fanar,
Santa Pascua de 2026
+
Bartolomé de Constantinopla,
fervoroso suplicante por todos vosotros
ante Cristo resucitado de entre los muertos.





